Por Fernanda Aranda

´É preciso agir como se pudéssemos mudar o mundo’, diz historiadora que estuda fome e a gastronomia
´É preciso agir como se pudéssemos mudar o mundo’, diz historiadora que estuda fome e a gastronomia · Imagem: Source: www.estadao.com.br

14/10/2026 | 19h00

´É preciso agir como se pudéssemos mudar o mundo’, diz historiadora que estuda fome e a gastronomia
´É preciso agir como se pudéssemos mudar o mundo’, diz historiadora que estuda fome e a gastronomia · Imagem: Source: www.estadao.com.br

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´É preciso agir como se pudéssemos mudar o mundo’, diz historiadora que estuda fome e a gastronomia · Imagem: Source: www.estadao.com.br

Na pandemia, ela não conseguiu mais “desver” a fome. Adriana Salay, historiadora e professora da Universidade de São Paulo (USP), já tinha feito desse assunto seu tema de pesquisa, uma costura entre mestrado e doutorado. Porém, quando os tempos de emergência sanitária chegaram, soube que a crise extrema de insegurança alimentar não seria apenas uma ameaça, mas uma realidade. Em um país que, por vezes, nega a existência da falta de comida devido ao excesso de produção, Adriana entendeu que era hora de colocar, ainda mais, a mão na massa.

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´É preciso agir como se pudéssemos mudar o mundo’, diz historiadora que estuda fome e a gastronomia · Imagem: Source: www.estadao.com.br

No Paladar Entrevista da semana, Adriana conta sobre sua experiência prática com o papel restaurador que o restaurante pode exercer, inclusive para contribuir com a redução do abismo entre a fome e a alta gastronomia, realidades tão presentes em uma cidade como São Paulo.

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Ela, que conheceu o marido, o chef Rodrigo Oliveira, em um seminário sobre o poder das Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC), trouxe ao Mocotó a estrutura social que hoje o restaurante mantém. Juntos, eles fundaram a iniciativa Quebrada Alimentada — que ganhou o Prêmio Paladar de Honra ao Mérito no ano passado — e articularam grandes nomes da gastronomia em torno da distribuição de quentinhas e do combate à fome. O projeto nasceu na pandemia, com uma distribuição média de 200 refeições por dia, e hoje permanece com 50 entregas diárias.

Adriana Salay em entrevista à Fernanda Aranda Foto: Felipe Felps

Na conversa com a editora-assistente Fernanda Aranda, Adriana diz que, por mais que algumas pessoas descraeditem, a fome é uma realidade e se apresenta de diversas formas, para além do imaginário típico da “inanição”. “Temos as pessoas que comem uma vez só por dia, que passam períodos sem comer, que só comem arroz, a mãe que não come para ter as crianças alimentadas”, explica.

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Adriana acredita que, no papel restaurador do restaurante, uma das máximas é “dividir o que se tem, e não o que sobra”. Cita Angela Davis para explicar por que ainda insiste em planejar um futuro melhor. No cardápio do combate à fome, diz que é preciso atuar verdadeiramente para reverter a crise climática, pois, caso contrário, será difícil encontrar uma saída. Mas, parafraseando Davis, “você tem que agir como se fosse possível transformar radicalmente o mundo”.

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